Como ser sábio?
O que aprendemos com Yoda, Salomão e Jesus sobre escolher melhor, pensar mais devagar e decidir com clareza.
O que você vai encontrar neste texto:
1️⃣ Autocontrole — A arte de escolher o que realmente importa
Por que a sabedoria começa filtrando o excesso: menos ruído, mais significado.
2️⃣ Paciência — O tempo que transforma informação em entendimento
Como Jesus, e outros sábios da história, mostram que pensar devagar é um superpoder esquecido.
3️⃣ Humildade — O fundamento invisível das melhores decisões
Por que ouvir antes de falar e se abrir ao que desafia nossas ideias é o coração da verdadeira sabedoria.
Como ser sábio?
Você provavelmente conhece alguém que ‘exala’ sabedoria. Talvez não na sua vida real, mas já tenha se deparado com algum personagem fictício que personificasse essa qualidade tão perseguida pela humanidade, seja lá qual for a época.
Geralmente, é aquela pessoa que pensa antes de falar, demora pra falar, e muitas vezes só ouve e observa. E, quando fala, é aquela pedrada que faz você parar para pensar e não é ‘digerível’ de primeira.
E, pensando em estereótipo, costumamos pensar numa pessoa sábia como uma pessoa velha, com cabelos brancos, roupas longas, talvez, longe da cidade em uma floresta - eu sei, já pensou no mestre Shifu, no Yoda, em Salomão, e no Gandalf, né?
Mas será que isso é mesmo sabedoria? Será que sabedoria é só isso?
1️⃣ | Como uma pessoa sábia se porta?
Nós batemos muito na tecla, nestes últimos dias, de que nem toda informação é favorável na formação da nossa sabedoria. E a todo momento somos bombardeados com mais e mais informações, seja por meio de reels, vídeos, notícias, notificações, e até mesmo em conversas com outras pessoas nós estamos sendo informados o tempo todo.
Entretanto, não é toda informação convém ou, em termos mais utilitaristas, será útil para nós. Principalmente no que tange a formação da nossa sabedoria.
Ou seja, devemos ser seletivos em relação a quais informações fazem ou não fazem sentido a nós.
E isso é um tanto relativo, por que o que dita se uma informação é importante, é o quanto ela é relevante pra você. E isso é muito pessoal.
Questionamentos como “Por que isso me é válido?”, ”O que posso fazer com essa informação?“ e ”Essa informação faz sentido pra mim ou pra minha realidade?” são bons filtros iniciais de relevância para saber quais informações são realmente importantes pra você.
Entretanto, um ponto sempre importante a ser lembrado, é que dizer que a sabedoria requer uma seleção de informações valiosas não quer dizer que ela é fechada para informações desconfortáveis ou até mesmo fúteis.
A sabedoria filtra todas as informações ao redor a partir das reflexões e conhecimentos já obtidos.
Ou seja, por pior que seja, em termos de obtenção de conhecimento útil, passar um tempo nas redes sociais ou na internet, estes ainda tem algum valor. Só talvez não sejam muito valiosos tais quais outras fontes de informação, como livros, palestras, aulas ou até mesmo conversas com outras pessoas.
E indo ainda nesse caminho, a pessoa sábia sabe discernir quando um tipo ou uma fonte de informação já está ocupando espaço demais na ‘dieta’ de informações. Isto é, consegue observar ao redor e ver se talvez aquele tempo gasto nas redes sociais já não passou do ponto, se já não está causando mal e se não está na hora de começar a fazer algo ou buscar outra fonte.
Indo mais afundo, uma pessoa em busca da sabedoria saberá quais são os alimentos - ou fontes - que conterão mais nutrição - neste caso informação - saudável de verdade.
A pessoa sábia é aquela que sabe se controlar e se contentar com quais fontes já renderam o que deveriam render e quais ainda se deve continuar buscando.
Das virtudes que andam juntas a sabedoria, com certeza o contentamento e o autocontrole andam lado a lado.
Mas será que só buscar informação é suficiente?
2️⃣ | Como uma pessoa sábia age?
Se só buscar as fontes certas de informação fossem o suficiente, qualquer um que lesse uma enciclopédia seria o homem mais sábio de todos os tempos. O ChatGPT seria o novo Yoda. E o Gemini era o novo Salomão.
Brincadeiras à parte, não preciso ir muito longe, você já deve ter entendido que só informação não é suficiente pra ser sábio, por mais que seja um ingrediente essencial para o ‘cozimento’ da sabedoria.
Na verdade, talvez grande parte do tempo de uma pessoa sábia seja desprendido no outro total oposto: não buscar informação alguma, mas ponderar sobre as informações que já tem em mente.
Tomemos como exemplo outra pessoa que certamente marcou a história da humanidade: Jesus de Nazaré. Talvez, você não pense logo de cara como um exemplo de sabedoria. Mas quando nos aprofundamos na história dos evangelhos, é impossível não notar sua sabedoria no seu agir.
E pensando neste contexto, Jesus talvez não tivesse acesso a toda informação que Salomão tivera, por exemplo. Entretanto, Jesus de forma ’corriqueira’ fazia algo que nós pouco fazemos hoje em dia: parar para refletir.
São várias as passagens ao longo de sua história em que Jesus saia do entorno de seus discípulos e ia passar algum tempo sozinho. Talvez a passagem mais emblemática sejam seus dias no deserto em jejum.
O que intriga aqui é o princípio de Jesus, ele se afastou de todas as distrações possíveis que poderia ter e só focou em refletir, meditando e buscando a sabedoria - sabedoria esta que assim como Salomão, Jesus sabia que Deus era o criador e detentor absoluto delas ( ou talvez ele mesmo, já que ele é Deus!).
Veja, o princípio evidente aqui é claro, se até o Homem-Deus precisava tirar um tempo para refletir e amadurecer suas ideias sobre o mundo e obter mais sabedoria, quem dirá nós, meros mortais e seres finitos.
O problema é que este processo exige paciência. E esta é uma virtude muito rara hoje em dia. É claro que nossas vidas costumam ser dinâmicas e exigem que sejamos também, mas quando foi a última vez que passamos dias ou meses pensando sobre um só problema? Digerindo alguma informação ou situação, pra só a partir daí tomarmos uma decisão.
E como um sábio toma suas decisões?
3️⃣ | Como uma pessoa sábia pensa?
Será que não é que nem o Yoda? Aparece do nada, fica quieto e solta uma pedrada que só se entende pensando depois.
Por mais pitoresco que o seja, talvez tenha um fundo de verdade aqui. Uma cultura da sabedoria é ser rápido para ouvir e tardio para falar. - parafraseando Provérbios.
Geralmente, para fazer isso, uma pessoa sábia possui um conjunto de ideais sólidos que fundamentam todo o restante do seu arcabouço intelectual. E por isso avaliam a informação obtida, ‘digerem-a’ pra só aí emitirem alguma opinião. Por isso a demora pra responder.
Mas isso já demonstra um princípio essencial da sabedoria: humildade. Ouvimos, vemos, aceitamos e então pensamos, refletimos, digerimos e ponderamos sobre. Aí pensamos em concordar, discordar ou simplesmente descartar.
E é por isso que é importante temos boas informações de referência, pois assim esse processo se torna cada vez mais sólido, produtivo e frutífero.
Tomemos como exemplo Salomão, ele era sábio, mas o temor de Deus era o princípio fundamental de toda a sua sabedoria, pois ele via Deus como o detentor e criador de toda a sabedoria existente.
Seguindo este exemplo, nós, querendo ser sábios, devemos basilar nossas ideias em fontes estáveis e cada vez mais consagradas. Então não baseamos nossas crenças e opiniões em meras ideias passageiras, mas em ideias sólidas e atemporais, os chamados princípios.
Estes princípios são relativos a cada pessoa, mas o interessante é que quanto mais sólido e firme este princípio, mais flexível se tornam as nossas opiniões, porque nos tornamos adeptos a qualquer ideia que pareça ser melhor, mais adequada ou evoluída, desde que ela vá de acordo com nossos princípios.
E é aqui que entra o conceito chave da sabedoria humilde: humildade confiante.
Com a nossa personalidade, o nosso Ser, fundamentados em princípios e não em ideias passageiras, nós não nos apegamos a qualquer ideia e a defendemos até a morte. Nós nos apegamos as melhores ideias que representam melhor os nossos princípios.
Sendo assim, fica mais fácil, no sentido de clareza, entender quais são as boas ou as más ideias.
E portanto, após ter contato com as melhores fontes de informação disponíveis e refletir o máximo que puder sobre elas, tomar melhores decisões que serão mais assertivas e, quem sabe, mais sábias, será somente consequência.
Se você nos acompanhou este mês todo sabe que o nosso tema principal foi a sabedoria. Hoje a ideia era unir todos os três pontos que trouxemos ao longo do mês: autocontrole, paciência e humildade.
Caso queira se aprofundar, tratamos de forma mais aprofundada cada um dos tópicos de hoje aqui:
Você é o quer se tornar sábio? (Autocontrole)
Quando foi a última vez que você leu? (Paciência)
Por que preferimos nossas opiniões aos fatos? (Humildade)
E aí, fez sentido pra você? Acha que faltou algo? Fica a vontade pra deixar o que você achou aqui nos comentários!
📚 Livros que fundamentaram (e ampliam) a reflexão sobre sabedoria:
1) Como Ler Livros - Mortimer J. Adler & Charles Van Doren
Um guia clássico sobre o ato de ler com profundidade — não apenas passar os olhos pelas páginas, mas dialogar com o autor e extrair sabedoria de cada obra.
Uma das obras de distopias mais renomadas existentes, ilustra muito bem o conceito de um povo perdido, sem acesso a informação e dominado por uma elite opressora.
3) A pirâmide da sabedoria - Brett McCracken
Um ótimo livro para todos que querem entender mais sobre sabedoria.
Uma leitura obrigatória para todos que querem entender o que sabem e, o mais importante, o que não sabem.
Fique bem e que o nosso Senhor nos guarde e abençoe!
Com carinho,
Mingoti
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